Junho 2017

Quando amar é heroísmo

Aquele abraço, aquele beijo, aquela energia, aquele partilhar descomplicado foram actos extraordinários dentro das vidas que levamos e a forma como nos damos. Então, e por tudo o que isso acarreta na vida de alguém, vamos chamar-lhe heroísmo.

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Abril 2017

A noite é um buraco que te engole por inteiro

Atrevi-me a caminhar por entre ela e foi areia movediça que se estendeu no meu caminho, a enterrar-me viva no que devia ser alcatrão fervente, a intoxicar-me os pulmões, a dissolver os meus gritos. Escuro. Silêncio.

A minha alma foi dilacerada e eu fiquei avariada, gaga, perra. Quando o dia nasceu, eu nem chorei, fosse de alegria ou tristeza. Sentei-me num banco do jardim onde as flores não abrem, abri eu as mãos e deixei-me cair nelas Continuar a ler

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Junho 2016

Tema para junho: heroísmo

“E foi num desses dias que se concretizou o destino de Aquiles. Chefiando os gregos contra os troianos, estava ele a lutar junto às portas Céias onde Páris, evitando sempre os perigos da batalha, estava escondido. Quando viu Aquiles ao alcance do seu arco, atirou-lhe uma flecha. Nunca antes tivera um alvo tão perfeito e Aquiles, que Páris nunca ousaria enfrentar, caiu morto. E, assim, o maior guerreiro de todos foi abatido por um homem de pouca coragem e nenhum valor.”

Homero in Ilíada, capítulo 34

“Apoiada, a coragem nasce até mesmo naqueles que são muito cobardes.”

– Homero

Prazos de submissão dos textos

No primeiro mês de verão, vamos criar, analisar ou destruir um herói, tenha ele super-poderes ou seja apenas um humano comum.
Como este tema foi divulgado apenas no dia 21 de Junho o prazo limite para submissão dos textos é agora – apenas desta vez – até dia 21 de Julho.

Após isso, o CPR volta a publicar os novos temas no início de cada mês. 🙂

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Abril 2017

À noite todos os gatos são pardos

Tinha jantado sozinha mais uma vez. Sentada no sofá, olhava para o livro sem o ver. As letras eram pequenos montes de tinta negra na página branca. Tentara tirar um sentido do parágrafo que estava a ler mas nada surgia no seu cérebro vazio. Algo tinha de mudar. Cada vez eram mais frequentes aqueles momentos de alienação quase completa. Momentos que acabavam num estado de puro pânico. Pânico de morrer sozinha. Depois de voltar a si, convencia-se que estava a ser dramática, mas a verdade é que algo tinha de mudar. Continuar a ler

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Abril 2017

Penumbra

Ainda não é meia-noite.
Não estamos perdidos na penumbra
que outrora consumiu
o dia.

Ainda há luz.
Espelha-se pelas árvores,
pelos animais nocturnos
que aparecem devagar
por entre a folhagem.

Vasculhamos por entre os ramos
Que o inverno estendeu pelo chão,
O pouco que resta de luz.

Com medo
A sombra afasta-se
Desalinha-se
Desconsertar-se

Ainda não estamos perdidos na penumbra.

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