semana 2

Liberdade Opressiva

Passear na Baixa de bicicleta em frente ao Tejo, desde a Torre de Belém ao Terreiro do Paço, passando pelo Padrão dos Descobrimentos, ainda há pouco inaugurado.

Necessito de me sentar de frente para a cidade, enquanto leio algum romance chegado de Londres ou dos nossos conterrâneos.

Sinto o meu corpo a transbordar de emoção.

Uma emoção caótica, desamparada, que me consome de corpo e alma.

Já nada se me faz sorrir ao passar por lugares em que ambos passáramos, onde haveramos estado, de acordo com a etiqueta.

O meu corpo sente uma tristeza profunda quando se lembra de tais acontecimentos, acontecimentos que minha mente já deveria de ter esquecido.

Necessito de liberdade. Liberdade essa que sei que só irei encontrar em Lisboa, por entre ruas e praças, a subir ou descer a cidade de eléctrico até chegar ao meu destino.

Passear na Baixa de bicicleta em frente ao Tejo, desde a Torre de Belém ao Terreiro do Paço, passando pelo Padrão dos Descobrimentos, ainda há pouco inaugurado.

Necessito de me sentar de frente para a cidade, enquanto leio algum romance chegado de Londres ou dos nossos conterrâneos.

Preciso de me libertar da dor da tua chegada e da tua partida, tão breve, tão fugaz e tão arrebatora.

Quero viver e amar livremente, apesar de toda a opressidade ditatorial em que vivemos.

Viver as tendências trazidas pelos emigrantes e mudar tradições.

Quero isto e muito mais.

Mas especialmente, quero ser feliz.

22 de Outubro de 1960

lisboa pancarte

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