semana 3

Uma Estrada Maior do que o Homem

Huld, encaminha-se para uma estrada que não parece ter fim. Guia-te para um luz desprovido de luz e esforças-te para continuares a ver os seus passos e o que fará a seguir. Quem encontrará, o que dirá? Irá acordar e fugir de si própria?

O cabelo fino de Huld balouçava com o vento, enquanto se confundia com os raios de sol que iam brotando do céu.

O caminho para casa era feito com uma certa calma, que todos lhe conheciam.

Uma rapariga pacata, que se pronunciava devagar e numa voz imperceptível.

Huld sabia que ao abrir a porta do seu quarto, deixaria cair a mochila com todas as memórias do dia e acarai na cama para um sono merecido.

As noites estavam cada vez mais frias e Huld acordava sempre cansada, como se por magia, se tivesse levantado de noite e enfrenta-se uma segunda vida, que desconhecia.

Ao cair da noite na cidade, sabes que Huld dorme profundamente.

Parece morta.

Recuas, até encontrares a parede do seu pequeno quarto e encolhes-te o mais que podes com medo que ao acordar, te descubra.

Não sabes como entraste, nem como chegaste até aqui. Tentas respirar devagar para que o medo e a incerteza não de desmascarem.

Os olhos de Huld abrem furiosamente. Tudo nela está imóvel. Os olhos que outrora eram de uma azul água, agora são cinzentos e estranhamente maiores. Sem pestanejar, levanta-se muito hirta e dirige-se até á porta.

Não te olha. Nem presente a tua presença. É como se ela própria estivesse ausente.

Reparas que pega numa mala de couro que vivia a um canto e que a carrega ao sair do quarto.

A camisa de noite a cair lhe sobre os joelhos, dança agora ao som do frio da noite. Não sabes para onde vai, nem o que procura, mas caminha com um passo decidido.

Os seus movimentos são mecânicos, mas continuas a segui-la, porque a curiosidade é mais forte do que o medo.

Huld, encaminha-se para uma estrada que não parece ter fim. Guia-te para um luz desprovido de luz e esforças-te para continuares a ver os seus passos e o que fará a seguir. Quem encontrará, o que dirá? Irá acordar e fugir de si própria?

Encosta-te ao murro que percorre toda a estrada. As curvas, não deixam antever o que se esconde no resto do caminho de cimento.

Ao tocares no muro com os ombros apercebeste que este está coberto de ervas daninha que começam a consumir as pedras amontados que forma esta barreira. Barreira que ninguém saberá o que limita.

Retraís os passos, porque Huld parece paralisada no centro do caminho.

Pequenas vozes imperceptíveis começam a fazer-se ouvir e Huld deixa cair a mala que trazia consigo.

Ao cair a mala entreabre-se e deixa prever o seu conteúdo. Vários espelhos, de diferentes formas e tamanhos, começam a deslizar para o exterior do chão molhado pelo orvalho.

As vozes começam recomeçam mais fortes e rápidas e apercebeste que Huld está a ser chamada. O seu nome é repetido vezes sem conta.

Uma aragem fria e densa atravessa-te o corpo e estremece-te o coração e corre em direcção de Huld. Ao mais leve toque Huld caí o chão e alguns dos espelhos estilhaçam-se.
Sentes uma respiração quente, como um bafo num dia gelado, ao lado do teu ouvido esquerdo.
Uns dedos de esqueleto vão na direcção dos teus olhos e abstraem-te a visão.

És capaz de ver o feixo de luz que se travessa por entre os ossos finos do fantasma que não te deixa mover e simultaneamente ouves um grito agudo que logo é abafado pelo som de mil espelhos a partirem-se.

Aquilo que pareceu uma hora, acontece no espaço de segundos e quando voltas a ter consciência, apercebest-te que estás descalço e com o corpo tremulo.
Huld está caída no chão, no mesmo lugar onde a viste antes de fechares os olhos.
Está deitada numa cama de sangue.
Caminhas na sua direcção e olhas à tua volta.
Não existe nada, nem ninguém. Sem respostas, reparas que a mala desapareceu e que os espelhos estão cobertos de pingas vermelhas, que sabes ser sangue.
Num instante uma luz apodera-se da estrada, forma a tua sombra que cobre Huld e quando o chiar dos pneus se sentem na estrada, já estás caído a vários metros de Huld, completamente sem vida.

E eu, escondida atrás de ti, sem te deixar sentir a minha presença, reparei como seguias aquela rapariga sonâmbula que caminhava para a morte.
Aproximo-me, ajeito o cabelo louro de Huld e continuo o meu caminho.
Vai amanhecer entretanto.

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