semana 5

A ovelha negra

Paki subiu a montanha pelos trilhos habituais até a uma clareira mais pequena. Era ali que Nero costumava pastar-se. Nero não gostava de homens nem de cães e não queria nenhum deles por companhia. Era livre e assim vivia entre cá e lá no cimo da montanha. Mas hoje ele não se avistava.

Era uma vez um rebanho de ovelhas que pastava num prado ali juntinho às montanhas.

Poucos havia que se aventurassem para lá desta clareira, e praticamente nenhum que ousasse subir as montanhas.

Mas um havia que era mais afoito que os outros, Paki a nada de conhecido temia. Nem a lobos, nem a homens, nem a carroças.

Até ao dia em que o cão pastor chegou com a história que a muitos fez tremer. Contava que lá para a aldeia tinha sido avistado um monstro sem igual. Que ia o homem na sua vida quando avista o animal. O corpo era de ovelha, mas assim também o demónio se dizia ter corpo de cabra. Era grande e matreiro, e pulava como possuído se o tentavam amarrar. E era negro como o breu. Em vez de lã tinha cardos, impossíveis de domar. O focinho era carvão e escorria para as pernas e patas pretas. E o seu balido era o mais alto alguma vez ouvido por ali. Em fúria balia enquanto se debatia montanha acima a deixar para trás as cordas que o homem lhe jogara para o apanhar.

Foi aqui que Paki, se prendeu na história. É que se a besta subira a montanha, conhecia alguém que podia estar em perigo. Ainda as outras ovelhas ainda estremeciam com a história; Méeee, méeee, méeedooo…baliam em coro, e já Paki se fazia ao caminho para avisar o seu amigo dos perigos que a montanha agora escondia. Se adota corpo de ovelha é porque provavelmente houve uma que lhe serviu de jantar.

Paki subiu a montanha pelos trilhos habituais até a uma clareira mais pequena. Era ali que Nero costumava pastar-se. Nero não gostava de homens nem de cães e não queria nenhum deles por companhia. Era livre e assim vivia entre cá e lá no cimo da montanha. Mas hoje ele não se avistava.

Paki, preocupado, chamou e balio o mais alto que pode até avistar o amigo a sair de trás das pedras. Pareceu-lhe magoado, mas decerto não teria sido o monstro ou não estaria ali para contar a história.

– Vim o mais rápido que pude. Começou Paki atabalhoado. Tens que te esconder, precisas de proteção! Na aldeia os homens estão a guardar as ovelhas até perceberem que monstro é este…

– Monstro? Mas de que falas? Gritou Nero ainda meio escondido nas rochas.

– Sim, na aldeia avistaram uma ovelha. Mas era uma ovelha gigante. E em vez de alva era toda negra. A sua lã era farta e espigada como farpas de cardo e pulava sem olhar a quem como uma selvagem. O cão ouviu o homem dizer que se trata de um demónio. E no rebanho todos acham que se forma de ovelha tem é porque uma comeu, com certeza. Também tem a força de mil, senão vê que até arrancou o pau onde o homem o amarrou e bateu com ele montanha acima só para alvoraçar os aldeãos.

Nero estava confuso mas achou que talvez o seu amigo estivesse mais.

– Falas deste pau? Perguntou saindo de trás da rocha e arrastando atrás de si a corda com o pau onde estivera amarrado na aldeia.

– Nero! Acabaste com o monstro e ficaste com o pau? E ele? Fugiu?

– Paki, olha bem para mim, sou uma ovelha não sou? Mas sou selvagem! A minha lã, negra, nunca foi tosquiada. As minhas pernas são grandes e musculadas de tanto subir a montanha e tu sabes, sou livre, homem nenhum me vai acorrentar. Fugi assim que pude, mas o pau teimava em perseguir-me e delatar-me.

– Mas o homem disse tratar-se de um monstro.

– O que é que ele pensaria de uma ovelha que não segue o cão? Ajuda-me a roer esta corda e livrar-me deste pau!

Assim fizeram os dois amigos. Depois correram, brincaram e por fim, foi cada um à sua vida. Nero ia subir ainda mais a montanha e Paki voltaria para o rebanho onde as ovelhas ainda tilintavam de medo do monstro.

Moral da história: A diferença está nos olhos de quem vê.

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