semana 6

Ela

Olho para o relógio, ainda me restam 2 horas, visto a t-shirt desbotada, abro a gaveta da mesa-de-cabeceira e de lá tiro o meu moleskine e a caneta bic.

Ela enrosca-se em mim, sinto-lhe o hálito a café, exalo e sorvo todo o seu ser, abro o caderno, destapo a caneta e dou continuidade à minha escrita.

Abro um olho e depois o outro, o Sol espreita pelas frestas do estore entreaberto, está a amanhecer. Devo ter dormido umas 3h, foi pouco mas repousei, a noite foi agitada, aquela mulher é a minha perdição, não consigo parar de a amar até estar exausto. Estico um braço, a perna contrária, arqueio as costas, enquanto o faço o meu olhar prende-se naquela visão magnífica, como é possível ser tão bela, tão perfeita?

A respiração é suave, o seu sono é profundo, os olhos verdes estão cerrados pelas suas pálpebras cândidas, o lençol cobre-lhe parte da nudez, um seio espreita e sinto um frio na barriga, os braços repousam ao longo do tronco, as mãos impecavelmente arranjadas. Percorro-lhe o ventre com a minha mão mas sem lhe tocar, ela mexe-se, deve ter sentido o calor que emana de mim, quero-a, preciso de a sentir. Mas depois da noite que tivemos sei que não posso, a exaustão derrubou-nos e ela precisa de recuperar. Virou-se de costas para mim e as suas nádegas quase que me tocam, o lençol cobre-lhe uma perna, deixando a outra à minha vista e aquele pé de dedos perfeitos.

A juba ocupa toda a almofada, cheiro uma madeixa daquele cabelo liso e sedoso, cheira bem, maçã? Ao fim de todos estes anos ainda não lhe descobri o segredo, a boca entreaberta deixa vislumbrar aqueles dentes brancos e adivinho-lhe o sorriso.

Descansa minha deusa, sussurro-lhe ao ouvido!

Levanto-me e dirijo-me à cozinha onde preparo um café bem forte, enquanto a máquina aquece relembro a noite passada, os nossos corpos, num único, as palavras trocadas, as juras de amor, os planos futuros. Desperto desta letargia com um barulho vindo do quarto. Ela acordou.

– Bom dia preguiçosa, trouxe-te um café – baixo-me e beijo-lhe a testa.

– Obrigada amor – Senta-se na cama e cobre a pele imaculadamente branca com o lençol.

Sento-me ao seu lado, e juntos saboreamos café preto.

– Hummmm, acho que vou dormir mais um pouco! – diz enquanto me beija os lábios.

– Descansa amor, quando for horas de irmos chamo-te – afago-lhe o cabelo.

Olho para o relógio, ainda me restam 2 horas, visto a t-shirt desbotada, abro a gaveta da mesa-de-cabeceira e de lá tiro o meu moleskine e a caneta bic.

Ela enrosca-se em mim, sinto-lhe o hálito a café, exalo e sorvo todo o seu ser, abro o caderno, destapo a caneta e dou continuidade à minha escrita.

Hoje escrevo no meu sítio favorito de todo o sempre, onde quero ficar para sempre, onde sou feliz, hoje escrevo junto ao meu amor, ao seu corpo, à sua alma.

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