Qualquer canto

Os aeroportos encerram em si todas as possibilidades do mundo. Não são só um ponto de chegadas ou de partidas, mas juntam todos os caminhos existentes.

Já muito se escreveu sobre aeroportos. Já muita gente os pensou, os sentiu e os passou para o papel de modo diferente. Gente com muito mais vida de aeroporto do que eu. Gente que já perdeu uma imensidão de voos, que dormiu enquanto aviões descolavam e aterravam, que ficou horas e dias presa por tempestades ou greves. Todos têm mais legitimidade do que eu para falar de aeroportos: a experiência deu-lhes esse estatuto.

É que os aeroportos são o meu sítio preferido em todo o mundo. Não pelo turbilhão de emoções que está em todo o lado – nas pessoas, nas paredes, no ar. Não pelo facto de um aeroporto nunca fechar os olhos ou nunca ficar às escuras. Tão pouco por se poderem ouvir todas as línguas do mundo num só sítio.

Os aeroportos encerram em si todas as possibilidades do mundo. Não são só um ponto de chegadas ou de partidas, mas juntam todos os caminhos existentes. Há a probabilidade de, a partir deles, chegar a qualquer canto. A possibilidade de encontrar pessoas que mudam vidas. A hipótese de nem sequer se entrar no avião porque aquilo que ficaria para trás é demasiado valioso para se ver de cima.

Quem vê os aeroportos somente como um local onde se chega ou de onde se parte nunca saberá o quão delicioso é pensar que em determinado sítio, em determinada hora, toda a vida esteve ali, ao alcance.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s