A Um Ano Cheio De Diferentes Portos

“Mas a vida é feita de ganhos e perdas, finais felizes e infelizes, amores e desamores, viagens e momentos atracados a um porto.

E talvez este ano e as mais de trezentas páginas ainda existentes e por prencher na minha agenda e diário, estejam a pedir que levante a âncora e navegue em direção a um novo porto, com melhores auroras e diferentes pôr-de-sóis.”

16 de Janeiro de 2016

Estou sentada na varanda de casa dos meus pais enquanto escrevo este texto.

Vamos já na segunda semana de Janeiro e, apesar das promessas que jurei cumprir durante os primeiros minutos do ano, tenho de dizer que poucas continuam intocáveis.

Continuo a beber café como se a cafeína fosse a gasolina que alimenta o meu motor e a deixar as saquetas de chá de menta a ocupar espaço no jarro, ao lado da máquina da Delta Q.

Continuo a dirigir-me para o chocolate a garrafa de whiskey que coloquei em sítios completamente impensáveis no meu quarto, só para que ninguém me retire esses pequenos prazeres e vícios, e continuo a imaginar situações que nunca acontecerão, por imposição do presente no futuro.

Continuo a escrever à mão cada texto antes de o colocar oficialmente em formato digital e a ficar com dores de braços devido à quantidade de letras e palavras que coloco nas folhas que escrevo.

Continuo a ficar nervosa durante discursos públicos e a dormir cinco horas por noite. E se forem cinco, já é muita a sorte.

A Leo continua a crescer a olhos vistos, parecendo ela que a alimentamos com um género de adubo qualquer enquanto o Luca continua a ter os mesmos atos perante a sociedade circundante.

Como se vê, poucas são as modificações que ocorreram durante a meia-noite, na noite em que chegou o ano em que completo vinte-três anos de existência.

Mas houve coisas que mudaram, ocorrências que me fizeram sentir mais adulta, responsável e merecedora.

Ao contrário dos últimos nove anos, passei a noite sem uma gota de teor alcoólico no sistema sanguíneo.

Acabei o ano com um orgulho de estar sóbria naquela noite em especial e de acordar sem uma dor de cabeça descomunal ou sem um sentimento de humilhação, pois não havera postado fotografias nas redes sociais, sob o efeito de alcoól ou estupefacientes.

Não tive um beijo à meia-noite nem ainda troquei partículas salivares com um outro ser humano. Não sinto necessidades de encontros casuais e frívolos de momento.

Tenho-me dedicado mais aos estudos do que a maratonas na Netflix e a minha conta bancária ainda não está a zeros.

Mas de todos os assuntos que considere importantes de mencionar e de me sentir orgulhosa (como o facto de finalmente dar em uma de saudável e dizer “Adeus!” ao açúcar refinado.), a minha mente, corpo e desejo ainda lutam contra a existência da vivência de quem me aqueceu, em tempos, o coração.

Essa é, indefinidamente, a única droga para a qual parece não existir algum tipo de reabilitação ou grupo de apoio.

Afinal de contas, ainda sou uma drogada, cuja droga é o recair do meu pensamento sobre os traços do seu corpo e as rugas do seu sorriso.

Continuo viciada no cheiro do seu perfume que teima em não sair do meu corpo, apesar dos banhos de sais e de cloro a que já foi submetido e com o desejo de que, um dia, por ventura do destino, o seu carro volte a parar em frente ao portão de minha casa ou o seu nome volte a aparecer no visor do meu telemóvel.

Mas a vida é feita de ganhos e perdas, finais felizes e infelizes, amores e desamores, viagens e momentos atracados a um porto.

E talvez este ano e as mais de trezentas páginas ainda existentes e por prencher na minha agenda e diário, estejam a pedir que levante a âncora e navegue em direção a um novo porto, com melhores auroras e diferentes pôr-de-sóis.

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