Janeiro 2016

Foste o melhor erro que cometi

As palavras às vezes não chegam, sabes? Quero poder substituí-las mas não consigo. Não há nada a dizer, nada a fazer. “Foste o melhor erro que cometi”, dizes-me. Naquele momento eu sei. Sei que não importa o que digo, não importa o que faço.

Cansada, sem vontade de me levantar desta cama, convicta de que se avizinha uma derrota mas de que vou sair daqui e terminar tudo a tempo. Sinto a cabeça a latejar. Pede-me que pare, que descanse, que volte a dormir. Sei que preciso de a ouvir mas não sei como o fazer. Talvez esteja mais desmotivada do que nunca, mais perdida do que nunca, mais assustada do que nunca.

Paro. Recebo uma mensagem. Passei muitos dos dias anteriores à espera de a receber mas desisti de esperar. Agora que não espero por ela é que ela chega. Abro a medo. Sei que não há motivos para isso mas estou nervosa. Já passou tanto, já se passou tanto. E se a mensagem não diz o que eu espero? E se não é algo bom?

Vejo. Acalmo. Respondo. Pergunto-te se valeu a pena. Agradeço por não responderes com uma frase do Pessoa. Nem tu és poeta nem eu quero que finjas sê-lo. Agora continuo perdida e assustada. Mas tu continuas aí, não continuas? Não sei o que dizer. As palavras às vezes não chegam, sabes? Quero poder substituí-las mas não consigo. Não há nada a dizer, nada a fazer. “Foste o melhor erro que cometi”, dizes-me. Naquele momento eu sei. Sei que não importa o que digo, não importa o que faço. Tu continuas aí. Porque também foste o melhor erro que cometi.

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