Janeiro 2016

Mudar

Uma coisa é certa, aqui, no meio, onde estou, não estou bem. Não estou próxima de quem fui e mais longe ainda de quem serei. Aqui não quero ficar.

O convite chega agora, a menos que tenhas medo de mudar…

Mudar? Eu não tenho medo de mudar.

Ok, se calhar  assusta-me um bocadinho. Mas não é a mudança. O que me assusta não é o que lá vem. É deixar o que deixo para trás.

Com a mudança pode vir um novo eu, e eu vejo-me a vir lá ao fundo. Ainda não consegui perceber o que visto, nem que humor trago mas já identifico as minhas feições bem ao longe, sim, sou eu que lá venho em passo acelerado. O pior é que se olhar para trás ainda me consigo ver. Nitidamente. De forma tão mais clara. Ali tão feliz, segura…realizada, sim, a palavra é realizada. E o pior é que por agora estou mais perto do que fui do que daquilo que serei, e isso é confortável. Aquilo que eu fui tomou conta da minha identidade e tenho receio que a minha história se perca se eu avançar para quem vou ser.

Uma coisa é certa, aqui, no meio, onde estou, não estou bem. Não estou próxima de quem fui e mais longe ainda de quem serei. Aqui não quero ficar. Mas o caminho que ficou para trás já foi andado e é de sentido único. Não posso lá voltar. Só que aquilo que eu fui, as pessoas já sabem o que foi. Conhecem-me. Por aquilo que fui e que ainda não sabem que já não sou. E aí eu era alguém. Alguém que importava. E se a que vem lá não for ninguém? Ninguém que importe? Está demasiado longe para que eu veja o que veste, o que calça. Ainda não se apresentou, mas sei que a sua apresentação é outra, porque a minha já não é sua, é da outra que eu fui e já não sou. Mas ninguém sabe…shiuu…talvez se não dissermos ninguém dê por nada.

Eu não tenho medo de mudar.

Só me assusta que eu que lá venho possa não ser tão cool como a que fica para trás. Dizem-me que a levo comigo, que a que lá vem é a soma das nossas três partes. Não sei se acredito. Não sei se voltarei a este lugar, a mim. Eu era aquilo e aquilo era eu, desde sempre. O que sou agora? E o que lá vem para mim?

Acho que é algo que nunca saberei se não puser o pé de fora. Mesmo que um passo em direcção a mim seja mais um para longe de mim. E mesmo que eu não ande, a que lá vem dá passadas largas enquanto que a que fui fica quieta lá atrás. Começo a ter a sensação que a que lá vem vai apanhar-me de qualquer maneira, faça eu o que fizer. Sim! Sim… ela está cada vez mais perto, cada dia se parece mais comigo. Não há nada a fazer…

Mudar? Não, eu não tenho medo de mudar.

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