O canto d’A Maldição da Sereia

Ouvir aquelas palavras de Oliver fê-la ferver por dentro. Era assim que pretendia pagar o resto da dívida a Thorp? O que acontecera a toda aquela conversa de querer que ela aprendesse sobre a vida a bordo de um navio para se tornar, mais tarde, o seu braço direito?
Mas antes de ter tempo de abrir a boca para protestar, já os dois homens estavam a apertar as mãos. Era a despedida.

Oliver estava a agir de forma muito estranha nos últimos dois dias. Mal olhava para ela e as únicas palavras que lhe dirigia eram respostas curtas, de preferência monossilábicas a perguntas que ela lhe colocava aqui e ali, primeiro por estranhar e, mais tarde, já para o testar. Não era, de todo, um traço habitual da personalidade de Oliver.
Liz desistiu de tentar arrancar-lhe o que quer que fosse pela via indirecta das perguntas genéricas e preparou-se para o confrontar, mas Oliver adiantou-se:

– Preciso que venhas comigo a um sítio. – anunciou de semblante carregado, fitando as pequenas ondas que beijavam a areia.
– Ah sim? Vais dizer-me onde ou vou ter que continuar o questionário? – Liz começava a perder a paciência.
Shark fin*.

Não foi preciso dizer para quê, mas para que não restassem dúvidas, Oliver acrescentou:

– Preciso que vás buscar as pérolas. Hoje, antes do pôr do sol.

Liz aquiesceu com um aceno de cabeça. Sabia que se ele lhe estava a pedir aquilo, é porque estavam ambos em apuros.

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Shark Fin era o nome que Oliver e Liz tinham dado a uma rocha escura, com o formato de uma barbatana de tubarão junto a uma das praias mais desertas da ilha. Para outra pessoa, Shark Fin era uma rocha como outra qualquer, mas para os dois parceiros, era a marca no mapa mental que haviam desenhado para recordar o local onde tinham escondido a arca que Oliver e a sua antiga tripulação haviam pilhado do navio Nuestra Señora de Begoña, anos antes de cruzar o seu caminho com o de Liz. A arca continha um número considerável de pérolas e outros artefactos valiosos que Oliver lhe pedira que escondesse num lugar onde nunca ninguém a descobrisse.

Não foi preciso chegar à praia para conseguir ver o enorme navio de velas negras no horizonte. A meio caminho entre eles e o navio, deslocava-se um pequeno barco a remos com três homens a bordo.
Ela olhou para Oliver, deixando a pergunta surgir apenas no olhar.

– Esperamos o capitão Blaine Thorp, Liz.
– O quê? Não podes estar a falar a sério… Pensei que éramos inimigos.
– Amigos, inimigos, não interessa. Devo-lhe muito dinheiro, Liz, mais do que possas imaginar. Se quiser contar com a ajuda dele para arranjar um navio para nós, tenho primeiro que saldar a dívida ou nada feito. Gosto tanto disto como tu, acredita, mas a verdade é que precisamos dele. E eu preciso mais de ti do que nunca.
– Já disse que vou buscar as pérolas, não é nada de especial. – Liz ergueu uma sobrancelha em descrença. Algo lhe dizia que aquilo não ia ficar por ali.
– Pois,… – Liz tinha razão, havia mais. – preciso que vás com ele.
– Stout, enlouqueceste de vez! Mas achas que eu alguma vez…
– Vais ter que confiar em mim, Lizzie.

A seriedade das palavras de Oliver para ela mediam-se pelo nome pelo qual se lhe referia. Chamava-lhe Elizabeth quando usava um tom irónico, precedido por Sua Majestade, a Rainha; por vezes Ms. Blair e ainda Lady Blair. Porém, ironicamente, reservava os nomes mais afectuosos para as situações mais aparatosas. Aparentemente, aquela era uma.

A cabeça de Liz inundou-se de dúvidas, receios e suposições sobre o que ia acontecer nos próximos tempos. Por mais que o quisesse evitar, não conseguia deixar de imaginar o pior desfecho possível para Oliver. E como seria o capitão Blaine Thorp? Porque teria ela de ir com ele? À falta de parte do tesouro que Oliver lhe devia, teria decidido empenhá-la para esfregar dia e noite o convés do navio do homem? Ou pior?…
Quando finalmente conseguiu interromper os seus pensamentos para voltar ao presente, reparou que o pequeno barco a remos aumentara de tamanho do horizonte e que em poucos minutos teria as suas respostas.

Momentos depois, o barco a remos era arrastado para a praia por três homens desconhecidos. Suponha que o mais alto, de cabelo e barca escuros era o tal capitão Thorp. Às vezes, o porte de uma pessoa dizia muito sobre ela.
Oliver, que se tinha mantivera imóvel durante os últimos minutos, avançava em direcção aos três homens. Liz seguiu-o, deixando-se ficar ligeiramente mais atrás.

– Thorp. – saudou-o com um aceno de cabeça e a expressão mais séria que Liz lhe conhecera.
– Capitão Stout! – replicou o homem de barba escura, com um sorriso trocista algo óbvio. Oliver há muito que não era capitão de navio nenhum, mas era precisamente isso que pretendia mudar. Não devolveu qualquer resposta ao escárnio de Thorp.
– Vamos ao que interessa, sim? – Oliver Stout parecia impaciente.- Liz?

Ela olhou para ele, subitamente lembrando-se da arca e, de relance, para o capitão Thorp e para os dois homens que vinham com ele, homens com o aspecto rude de quem já há muito não tem lar em terra firme. Em seguida, dirigiu-se para o mar, com a determinação de quem queria acabar com aquela charada o mais rapidamente possível. Já tinha percebido que nenhum dos dois iria abrir o jogo sobre o que se ia realmente passar a seguir, por isso tinha esperança que, com a arca desenterrada, os dois homens quisessem finalmente começar a falar.
Liz começou a nadar naquele mar transparente e quente, tão mais quente que o da sua terra natal, e assim que chegou a Shark Fin, mergulhou.
A maré baixa facilitava o trabalho de encontrar a arca que escondera, mas havia uma pequena rocha no fundo que usara para marcar o sítio secreto onde esta estava enterrada e onde a acorrentara caso fosse arrastada pelas marés. Só Oliver tinha a chave do cadeado.
Assim que Liz localizou a arca, voltou à superfície em busca de ar e da chave. Nesse momento, já Oliver e o capitão Thorp corriam pelas rochas ao longo da praia e que se ligavam a Shark Fin quando a maré estava baixa. O capitão Stout ajoelhou-se na rocha mais próxima de Shark Fin, retirou a chave que estava presa por um cordão em volta do seu pescoço e entregou-a à sua parceira. Antes de voltar a mergulhar, a jovem reparou que Thorp franzia o sobrolho, como que em descrença pelo que se ia passar a seguir. Dado o que sabia da história entre ambos, ela percebia o porquê de duvidar da palavra de Stout e, pior, do pagamento que este lhe devia.

O processo de libertar a arca da areia que a cobria e da corrente que a prendia à rocha foi incrivelmente rápido. Liz era uma nadadora exímia, que enfrentava sem medo nem hesitação todos os perigos do mar, com ou sem navio. Oliver Stout sabia-o melhor que ninguém e via nela a melhor aposta para a sua futura tripulação.
Apesar de ter conseguido libertar a arca, Liz estava com dificuldades em trazê-la consigo para a superfície. Esquecera-se do quão pesada era e de que tinha sido fácil levá-la para baixo, mas que recuperá-la seria todo um outro desafio.
Mas julgara mal o capitão Stout, achando-o demasiado relaxado por vezes, demasiado boémio e pouco ambicioso. Sabia agora que estava errada e que ele tinha tido um plano durante todo o tempo que tinham trabalho juntos. E se, inicialmente, tinha ficado revoltada por não o ter partilhado consigo, ficara agora aliviada por ele se ter lembrado de tantos pormenores quando este lhe atirou uma corda.

– Toma, Liz, ata a corda à arca e traz-me a ponta.

Assim o fez. Os dois homens do mar uniram esforços para puxar definitivamente a arca para cima e uma segunda chave abandonou o esconderijo secreto de dentro da camisa de linho gasto de Oliver, encontrando o seu destino nas mãos de Thorp. Com ela, o capitão abriu a arca que Liz resgatara ao mar, permanecendo em silêncio durante alguns momentos, como que a contar o seu valor.

– Está cá tudo, Stout, estou espantado! Julguei-te mal. – declarou – Talvez tenhas realmente mudado. É esta a rapariga?

O capitão de ar severo, cabelo e barba escuros, virou os seus olhos verdes pela primeira vez na direcção de Liz, impressionado pela forma tão natural como ela havia desempenhado aquela tarefa e pelo facto de se sentir tão à vontade nas águas perigosas de Nassau.

– Esta é Elizabeth Blair. Liz, como já deves ter percebido, este é o capitão Blaine Thorp.

Era óbvio que ela sabia.

– Como te disse, preciso que vás com ele enquanto ato mais algumas pontas soltas. Com sorte, volto com o nosso navio e com uma tripulação.

– Capitão Stout – pareceu-lhe boa ideia referir-se-lhe daquela forma em frente ao capitão Thorp – eu posso ajudar! Se ficar aqui não vou poder fazer nada…
Stout interrompeu-a.

– Pelo contrário, Lady Blair – fora a forma que encontrou de a tranquilizar; o velho truque do afecto disfarçado – se fores com o capitão Thorp vais aprender muito mais do que se fores comigo agora. Uns meses com ele e vais ser tudo o que preciso no meu braço direito. – acrescentou um ligeiro, mas sincero sorriso.

Ele sabia como calá-la da forma mais galante possível. Já a conhecia de cor e sabia que ia chegar até ela com a sugestão do futuro que ambicionava, pelo menos a curto prazo. Um dia, Liz quereria o seu próprio navio e tripulação, mas não ousava confessá-lo a Oliver por medo de parecer ingrata. Agora que voltava a pensar nisso, não sabia dizer se receava magoá-lo ou se aquilo que verdadeiramente receava era uma gargalhada de escárnio por parte de Oliver ao imaginar uma mulher a comandar um enorme navio e toda a sua tripulação. Se esse seu sonho viesse a ser concretizado, ainda estaria a vários anos de distância. A revelação podia esperar. Por agora, tinha que resolver o presente; e o presente era ali e agora.
Enquanto se encaminhava para o barco que trouxera Thorp e os dois membros da sua tripulação àquela praia, buscando dentro de si todas as razões possíveis para se convencer a ir com eles, ouviu Oliver dizer atrás de si:

– Tens uma guitarra, Thorp? Vê se a consegues pôr a cantar. Vais surpreender-te. A rapariga é dura, mas tem a voz de um anjo.

Elizabeth Blair nascera e crescera no seio de uma família inglesa abastada. Tinha aprendido as artes e os passatempos que todas as raparigas do seu estatuto aprendiam e ainda um pouco mais além, graças à fortuna e bom nome da sua família. Aprendera a ler e a escrever mal aprendera a falar e tinham-na ensinado a bordar, a recitar poesia, a falar francês e espanhol e ainda a cantar e a tocar piano. O amor pela literatura e pela música permaneciam tantos anos após trocar uma Londres fria e cinzenta por uma Nassau quente e vibrante do azul do céu, do oceano e das mais variadas frutas e animais exóticos que por lá passavam nos mercados.
Com vinte e poucos anos e já com o número de planos suficientes para preencher o resto da sua vida, era dona de uns enigmáticos olhos cor de âmbar, com uma farta cabeleira castanha, alourada pelo sol, e um pequeno agrupamento de sardas que se havia formado na pele do rosto que, como o resto da sua pele, havia trocado a tonalidade esquálida com que havia nascido pela dourada, característica inevitável de quem habitava aquelas ilhas.

Ouvir aquelas palavras de Oliver fê-la ferver por dentro. Era assim que pretendia pagar o resto da dívida a Thorp? O que acontecera a toda aquela conversa de querer que ela aprendesse sobre a vida a bordo de um navio para se tornar, mais tarde, o seu braço direito?
Mas antes de ter tempo de abrir a boca para protestar, já os dois homens estavam a apertar as mãos. Era a despedida.
Quando chegou a sua vez, Oliver pegou-lhe na mão e apertou-a tal como fizera à do capitão, mas desta vez demorou-se um pouco mais, abrandando o ritmo do aperto de mão enquanto mantinha o olhar fixo no dela.

– Isto não é uma despedida, Liz. Eu volto. Tens mesmo que confiar em mim nisto, entendes? O futuro é nosso, consigo senti-lo!

Mais uma vez, ela não falou. Assentiu com a cabeça apenas. Fora uma aprendizagem dura, mas finalmente sabia quando era tempo de argumentar e quando fazê-lo resultaria apenas em tempo perdido. Essa era uma dessas infelizes situações. Deixou-o partir e decidiu ali, naquele momento, que o futuro lhe pertencia. Com ou sem Oliver. E se o capitão Thorp era assim tão bom, então ela esforçar-se-ia por aprender tudo o que lhe faltava aprender com ele. Se Oliver voltasse, era óptimo. Caso contrário, saltaria uma etapa do seu futuro à frente e tentaria ela mesma reunir a tripulação e o navio. Oliver já cá não estaria para troçar dela ou sentir-se atraiçoado. E o que outros pudessem achar desse seu passo arrojado não lhe importava.

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Ao chegar ao barco que a levaria ao navio de Thorp, este apresentou-lhe os dois homens de que se fizera acompanhar à praia.

– Ansel Hawk e Jackson Jones, miss Blair. E aquela beleza é A Maldição da Sereia. – o capitão apontava orgulhosamente para o navio enorme no horizonte, os seus olhos verdes brilhantes de adoração.

Era, de facto uma beleza.

Jones e Hawk trocaram uns gracejos rudes, que Liz decidiu ignorar e subiu para o barco. Thorp seguiu-a, assim como um dos homens, já não se lembrava qual era qual. O outro homem ficou de fora a empurrar o barco até a água lhe dar pela cintura. Por essa altura já o dia ia quase no final e o sol estava prestes a mergulhar por trás dos confins do oceano para voltar a emergir apenas no dia seguinte. O que se passou a seguir aconteceu demasiado rápido.

Um grito horripilante encheu o ar. Era o homem que empurrava o barco. As suas mãos seguravam-se agora desesperadamente ao barco que estava a tentar empurrar ainda há um segundo atrás. Algo o puxava para baixo.

– Hawk!! Toma a minha mão! – gritou Jackson Jones. Thorp agarrara-lhe na outra mão instintivamente, enquanto Liz observava a cena grotesca a acontecer mesmo debaixo de si. Mesmo antes de ter olhado, soube instantaneamente do que se tratava. Era sempre arriscado estar na água àquela hora.
Jackson Jones e o capitão Thorp tinham agora ambas as mãos de Ansel Hawk seguras nas suas, mas o animal parecia não querer desistir sem dar luta e o pequeno barco ameaçava virar. Se assim fosse e se o animal não estivesse sozinho, era improvável que chegassem inteiros à Maldição da Sereia. Passou pela cabeça de Liz que o seu tempo com o capitão Thorp seria, afinal, bem curto. Mas, tal como o tubarão por baixo de si, também não ia desistir sem dar luta. Com a aflição de socorrer Hawk, Jackson e o capitão tinham ambos largado os remos. Sem tempo para pensar noutras alternativas, ela pegou num deles e ergueu-o bem acima da cabeça do animal para, depois, o deixar cair com toda a força da gravidade e da sua própria força combinadas no focinho que encerrava os seus intermináveis dentes aguçados na perna do homem da tripulação de Blaine Thorp, agora abanando-a como se de um trapo velho se tratasse.
Apesar de não ter sido um golpe muito pensado, foi eficaz. Liz conhecia o comportamento da maioria das espécies de tubarões que já encontrara em Nassau e sabia que, se não puxassem rapidamente o homem para dentro do barco, o animal voltaria para acabar o que tinha começado. Assim que os dois outros homens puxaram um Hawk já inconsciente para o barco, puderam avaliar a extensão do ataque daquele predador dos mares. Foi imediatamente compreensível o porquê do homem ter perdido a consciência; tinha aquilo que fora uma perna composta de músculo, tendões, gordura e osso completamente dilacerada num corte terrível e irregular. Tudo o que sobrava abaixo do joelho eram farrapos de pele e sangue, muito sangue a jorrar. Jones tirou o cinto que trazia nas calças e improvisou um torniquete. Era tudo o que podiam fazer por ele naquele barco minúsculo. Agora, mais do que nunca, tornara-se vital alcançar o navio.

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A Maldição da Sereia era um navio absolutamente magnífico e, assim que lá chegaram, Liz não conseguiu evitar olhar em volta para todos os pormenores lindíssimos esculpidos na madeira. Era óbvio que, em tempos, teria pertencido a uma frota riquíssima, talvez espanhola ou mesmo inglesa. Mas os seus pensamentos sobre a arte e as origens do navio foram subitamente interrompidos por gritos e gemidos de uma dor que se imaginava excruciante. Hawk tinha acordado.
Outros homens da tripulação correram para o socorrer; pareciam saber o que fazer. Um homem alto e louro, de ombros largos e pele queimada pelo sol colocara um pau de madeira entre os dentes de Hawk. Todos sabiam o que se seguiria. O resto da perna teria de ser cortada.

Ainda agora chegara e já sentia que afinal o seu sonho estaria ainda mais longe do que inicialmente achara. Nunca antes de sentira tão inútil, sem saber o que fazer ou para onde se virar. O espectáculo sangrento não a repelia nem lhe dava um nó no estômago, mas também não sabia como ajudar o pobre homem. Já estavam a fazer tudo o que podiam por ele.
A atmosfera do navio estava terrivelmente silenciosa à parte dos gritos desconcertantes do homem ferido.
Então, Liz teve uma ideia. Não conhecia nenhum canto do navio, mas percebeu sem qualquer dúvida onde seriam os aposentos do capitão Thorp. Com toda a tripulação de volta de Hawk, a entrada foi fácil e ninguém sequer se lembrou do novo e único membro do sexo feminino a bordo d’A Maldição da Sereia. Uma vez dentro dos aposentos de Thorp, encontrou uma série de livros e instrumentos musicais. Sem querer, passara a conhecer melhor aquele homem enigmático. Não era qualquer lobo do mar que tinha um piano e nos seus aposentos. Mas era algo mais portátil que procurava. Uma guitarra! Era isso mesmo que queria!

Saiu à pressa do quarto do capitão Thorp e encontrou um sítio relativamente perto da comoção que se juntara em torno de Hawk, mas suficientemente afastado para que o som da guitarra não se perdesse entre os gritos, mas antes se sobrepusesse ao som da dor. E Elizabeth Blair começou a cantar e a tocar uma melodia melancólica, mas saudosista de uma beleza a que aqueles homens que estavam há meses – alguns até há anos – naquele navio sem pôr os pés em terra já não conheciam. Pouco tempo depois e meia perna a menos, Hawk permanecia deitado, rígido da dor, de lágrimas nos olhos, mas com uma respiração mais calma. O pau que lhe havia sido colocado entre os dentes fora retirado e ele deixou sair um suspiro de alívio.
Enfim, silêncio, excepto pelos acordes da guitarra de Thorp e pela voz melodiosa e encantadora de Liz.
O capitão Thorp olhou novamente para ela, os olhos verdes novamente brilhantes como quando estavam na praia a olhar para o navio.

* Tradução literal: barbatana de tubarão.

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