A Promessa

«But as he required the promise, I could not do less than give it; at least I thought so at the time. » “Sense and Sensibility“, Jane Austen

No meu caso particular, a promessa era a promessa em votos matrimoniais, uma promessa de amor, respeito e fidelidade a nós mesmos e um ao outro, promessas que ambos iríamos  quebrar, muito antes do que esperado e em métodos totalmente opostos.

Quando eu aceitara o pedido de casamento de Giovanni, contra a vontade dos meus pais e, especialmente,  contra a vontade dos pais do meu noivo, tudo pareceu mais fácil.

Agora, as promessas de amor que havíamos trocado dentro e fora das paredes da casa que partilhávamos na costa Italiana, nas viagens que fizéramos pela Europa e os votos trocados no nosso casamento pareciam palavras distorcidas e longínquas, como os minutos que separavam o nosso reencontro, caso esse alguma vez acontecesse.

Ele tinha saído para não mais voltar, tinha mudado, de acordo com as suas palavras, ditas friamente, tão frias quanto o frio que se fazia sentir naquela noite de Janeiro.

Ele conhecera alguém e a relação evoluíra para mais que a amizade que um homem e uma mulher podem travar sem que exista qualquer tipo de intimidade.

O amor que ele professara por mim havia, em poucas semanas, desaparecido, dando lugar a um vazio profundo, um vazio que eu não queria que existisse.

Quando Giovanni quebrou a promessa proclamada durante os nossos votos matrimoniais, ao ter mantido uma relação com uma mulher que não eu, eu quebrei a minha.

Ao longo de toda a minha vida, eu havia sido uma pessoa fria, calculista e que não se importava de magoar os outros para atingir os próprios fins.

Conhecer o Giovanni, amar e ser amada, transformou-me, a mim, uma pessoa que sempre tinha dito que não se rebaixaria ou mudaria por um homem.

Foi por isso que, quando ele me anunciou que queria o divórcio três meses depois do nosso casamento, que eu segui com o que me era permitido e voltei a Portugal, sozinha e sujeita às frases do “Eu bem que te avisei!” dos meus pais.

Apesar de eu ter sempre prometido a mim mesma que nunca me iria sentir inferior perante o homem que me fez escolher um vestido branco e percorrer o altar da Chiesa di San Giorgio (ou Igreja de São Jorge), de braço dado com o meu pai, que me repetia, vez atrás de vez, que ainda tinha tempo para mudar de ideias, eu cedi..

Cedi e mudei de ideias. Mudei de ideias a não ser a pessoa que era. Mudei de ideias ao não cumprir com uma promessa de fidelidade a mim própria.

Mas foi essa promessa quebrada que me abriu os olhos e me fez ver que, afinal, o amor não está só com a pessoa com que dividimos as quatro paredes de uma casa, mas sim com o amor que existe dentro de nós, para connosco mesmos.

E amar-me a mim própria é uma promessa que, aconteça o que acontecer, jamais irei quebrar.

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