Dezembro 2016

Gustavs e a Magia da Aventura

Quando Gustavs abriu os olhos tudo era luz e cintilantes flocos de neves caiam na sua face. À sua frente uma enorme fábrica iluminada com cores vermelhas, amarelas, verdes e azuis, que mais parecia uma casa feita de biscoito, erguia-se.

Gustavs era um menino pobre que vivia no interior de uma aldeia remota.

Era Dezembro e por esta altura todas as árvores estavam cobertas de neve. Os pinheiros dançavam ao som do vento que lhe gelava as pontas dos dedos.

Gustavs olhava os pinheiros sabendo que na casa dos seus colegas de escola existia uma coberta de coloridas e cintilantes luzes e, por baixo dessa árvore, os presentes iam-se acumulando.

Gustavs sonhava em ter uma dessas árvores, decoradas com bolas coloridas, mas quando retirava os olhos da janela que deixava transparecer o ar quente que provinha do seu interior e que se oponha ao ar gelado que se fazia sentir lá fora, sabia que não haveria lugar para uma árvore de Natal. Nem para presentes.

O menino tinha agora 9 anos e olhava a mãe, cansada a preparar a única sopa que podiam comer durante aquela altura, que era feita com os ingredientes que os vizinhos lhes ofereciam. Este era o único presente que Gustavs recebia.

O pai tinha desaparecido à muito. Todos os anos, pela altura do Natal Gustavs perguntava à mãe:

– Mamã o pai não volta mais?

E sem qualquer resposta Gustavs continuava a fazer perguntas à mãe.

– Mamã porque é que o pai está a demorar tanto?

Quando a mãe perguntava a Gustavs qual era a prenda que ele queria nesse Natal, sabendo que nunca seria nada mais do que um pequeno chocolate ou um novo par de meias para aquecer os pés frios, Gustavs dizia:

– Mãe a única prenda que eu gostaria de ter era que o pai voltasse.

Com os olhos colados no chão a Mãe encaminhava-se para a cozinha e deixava correr as lágrimas sem fazer um único som.

Num dos dias em que Gustavs olhava a janela algo de estranho começou a acontecer à frente dos seus olhos. Uma luz forte e brilhante direcionou-se nos seus olhos e o vento forte abriu a porta de casa.

Com esse vento entrou um pouco de neve, com a qual Gustavs nunca podia brincar porque não tinha roupa suficiente que o deixasse quente enquanto construía o boneco de neve que todos os outros meninos faziam por essa altura.

Perplexo, olhou a porta e da neve, formou-se um pequeno boneco de neve.

O boneco de neve começou a compor o cachecol que se formou à volta do seu pescoço e olhou Gustavs:

Caminhou com dificuldade, enquanto olhava o menino perplexo e de dentro do seu corpo feito de neve retirou um casaco, um cachecol, um gorro e um par de luvas para Gustavs.

Surpreendido Gustavs perguntou:

– Quem és tu e como conseguiste tornar-te num boneco de neve real?

Ao qual o boneco de neve respondeu:

– Gustavs, não tenho tempo para respostas, temos de partir já. Tantas vezes te vi a olhar a janela, a deixá-la com o calor que existe dentro do teu coração, que estava na altura de te ajudar a encontrar o teu pai.

Pela mão o boneco de neve levou Gustavs e numa aventura mágica partiram.

O pequeno boneco de neve deu um gigante salto e quando os seus pés de neve pisaram o chão Gustavs e o boneco de neve foram transportados para outro lugar.

Quando Gustavs abriu os olhos tudo era luz e cintilantes flocos de neves caiam na sua face. À sua frente uma enorme fábrica iluminada com cores vermelhas, amarelas, verdes e azuis, que mais parecia uma casa feita de biscoito, erguia-se. Dela provinha uma música alegre que tocou no coração de Gustavs como uma pequena esperança que ele nunca tinha sentido. Ele era um menino de nove anos, mas o seu coração nunca tinha sentido o entusiasmo da felicidade ou do encontro inesperado que poderia estar para acontecer.

Mais uma vez o boneco de neve o levou pela mão. Entraram dentro da fábrica e ao sentir o calor que fazia dentro da mesma Gustavs olhou o boneco de neve e incrédulo viu que o boneco de neve começava a derreter. Antes de desaparecer o boneco de neve disse-lhe:

– Vês aquela porta vermelha no cimo das escadas? Atravessa-a e encontrarás a prenda de natal que todos os anos desejas.

Gustavs viu o boneco de neve desaparecer e apenas restou o cachecol que o mesmo trazia ao pescoço.

Agarrou-o e devagar atravessando pilhas de presentes que iam sendo embrulhados, subiu as escadas e respirou fundo antes de rodar a maçaneta da porta vermelha.

Ao atravessar a porta vermelha Gustavs viu uma secretária enorme repleta de papeis e papel de embrulho. Nessa mesma mesa estava uma moldura com uma fotografia sua que ele nunca tinha visto antes.

Na cadeira atrás da secretária dormia um homem gorducho de barba branca e de camisola vermelha.

Gustavs tentou aproximar-se desse homem que pelo que tinha ouvido na escola, era muito parecido com o Pai Natal.

Mas ao movimentar-se acabou por tropeçar num pacote quadrado de onde saíram vários presentes.

O homem acordou sobressaltado.

Quando olhou em volta e viu o rapazinho que se encontrava caído no chão do seu escritório, e que o olhava com olhar impaciente e incrédulo, reparando como os seus olhos era semelhantes, rapidamente desviou o olhar para a fotografia que estava na moldura e reparou que eram o mesmo menino.

Ali está a prenda de Natal que Gustavs tanto procurou e desejou.

O Pai Natal, aquele senhor que todos os anos se esquecia de lhe deixar um presente, na árvore que Gustavs não tinha na sua casa, era o seu pai.

E não existiam palavras que pudessem confirmá-lo, apenas o abraço que se eternizou naquele momento.

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