Levo-te no coração

Vou de partida, partida ao meio, sem mastros

Albaroada, sem bússula, desnorteada

Deixo atrás uma igreja sem claustros

Abandono-te sozinha, vou obrigada.

Parto na vilã asa de uma andorinha

Como se cigana esta sina me obrigasse

E obriga, de vincada esta vida minha

Que me tatua o destino emigrante na voz e na face.

 

Parto na infelicidade encharcada em saudade

A mesma que te deixo no colo, desamparada

Levo teu cheiro, durmo com ele, sou de mim metade

A que chama teu nome de boca tapada.

 

Vou vendida por um pecado agreste, qualquer

Num misto de blasfeme e de sagrado

Que cumpro, haja o que houver, doa o que doer

Governá-lo-ei a pulso, sem pulso, a este Fado.

 

A ti que deixo, deixo com fé, reza por mim

Para que a noite se acabe e o sol se dê a raiar

Derretendo este choro que me cai assim

Por te deixar virgem, vestida de branco, sem casar.

 

E é por amor esta rosa murcha no meu peito

E de sangue esta partida que nos magoou

Mas espera por mim, peço-te assim, quase sem jeito

E aceita este beijo de sal, Lisboa, sou eu que to dou.

Advertisements

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s