Surpresas de Natal

Acordou sobressaltada. Demorou uns segundos a perceber onde estava enquanto a campainha continuava a tocar. Levantou-se aos tropeções, enquanto murmurava alguns impropérios. Era Natal, quem é que toca à campainha às nove da manhã do dia de Natal? Quando alcançou a campainha já esta tinha parado. Resmungou novamente. Depois, ouviu o elevador. Queres ver que se enganaram a tocar? Percebeu de seguida que eram os dois elevadores. Acordei por causa de alguém que não sabe tocar à campainha… 

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É por isso que compreendemos os outros

É por isso que compreendemos os outros, mesmo quando a nossa reacção seria diferente.
— in
Amores e Saudades de um Português Arreliado, de Miguel Esteves Cardoso

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Só quero que saibas…

Há abraços que fazem parar o tempo. Podem durar segundos mas param o tempo. Abraços que são dados com o corpo todo, que são reconfortantes, que cheiram a casa, que são o melhor lugar do mundo. Há abraços que dizem tudo e há abraços que dizem nada. Há abraços que marcam, que ficam para sempre, que não são apagados.

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Se fosse para ficar sempre no mesmo sítio…

Acho que, se fosse suposto ficarmos sempre no mesmo lugar, ninguém teria inventado meios de transporte e não haveria estradas. Odeio fazer e desfazer malas, mas não há nada melhor do que ir a sítios novos, ver o que nunca vimos, sentir o que nunca sentimos.

É difícil ir embora… até nos irmos embora. E depois é o raio da coisa mais fácil do mundo. Há meses li um livro onde estava esta frase. Dias antes, uma amiga, que agora está em Londres, dizia-me: “acaba o curso, faz as malas e baza”.

Além de Portugal, só estive em Espanha, ali mesmo na fronteira. Não é assim tão longe; eu sou de mais perto de Espanha do que de Lisboa. Em Portugal, já estive no Algarve, no Porto, no Ribatejo, no Douro. Já subi à Serra da Estrela, vivo na capital, já estive em Coimbra, em Castelo Branco, na cidade-neve, na cidade mais alta, já vi Sintra do alto do Palácio da Pena, já molhei os pés na praia de Cascais em pleno Março. Quero ainda ir a Évora, a Setúbal, a Aveiro, a Braga e ter o Porto como casa. Depois, claro, tenho todo um mundo por ver.

Acho que, se fosse suposto ficarmos sempre no mesmo lugar, ninguém teria inventado meios de transporte e não haveria estradas. Odeio fazer e desfazer malas, mas não há nada melhor do que ir a sítios novos, ver o que nunca vimos, sentir o que nunca sentimos.

Tenho a mala de viagem ao meu lado. Não vou a lado algum. Vontade não me falta, mas não vou. Mas quero tanto ir.

Nas sombras da cidade

Agarro na mala e apresso o passo. Juro que ouço passos atrás de mim mas, sempre que olho, não vejo nem um cão. Mas está alguém atrás de mim. Eu sei. Eu sinto-o. Agora caminho a um passo quase de corrida. Só não corro porque o meu joelho não permite. Ouço os passos atrás de mim. Estão cada vez mais apressados, tal como os meus. Estou quase a correr. Tenho medo.

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