O Amor chegou mascarado

Sem entrar em mais detalhes, a reunião foi um fiasco, um fracasso, não disse nada, mas rigorosamente nada do que planeie, do que ensaiei. Gaguejei, corei, perdi o raciocínio vezes sem conta, senti-me uma liceal, tonta, infantil… E para terminar em beleza ainda tropecei no tapete e valeu-me os rápidos reflexos do Dr. Bettencourt, bem, do João, que me segurou nos seus braços. Continue reading “O Amor chegou mascarado”

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Recomeçando

Faz hoje um mês que foste embora e ainda me sinto vazia. Acreditas que ainda não chorei, que ainda não gritei de dor. As tuas coisas ainda estão por aqui, a nossa música ainda toca no iPod, as nossas fotos ainda estão espalhadas, os teus livros, os teus Moleskines cheios de histórias, as canetas bic que tanto aprecias, tudo está aqui.

Vivo disto, de recordações, do teu cheiro que ainda me preenche cada poro de pele, quando fecho os olhos, arrepio-me, as borboletas voam-me na barriga…

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Na Guerra

A tremer, abano-os até acordarem, tapo-lhes a boca com as minhas mãos e imploro-lhes silêncio com os olhos. Estou apavorada e só os quero proteger, encaminho-os para o velho roupeiro que herdei da avó Maria, e o mais silenciosamente que consigo abro as velhas portas e encaminho Rafael e Pilar para o seu interior. O rosto deles, espelho do meu, é fantasmagórico, o medo, o desespero pela sobrevivência no seu estado mais puro.

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Nobre sentir nas águas do rio

Teus galgos abrem caminho, teus nobres companheiros te acompanham nas selas desses lusitanos cavalos, gamos correm na vossa frente, trovão ressoa, pólvora inunda os ares frescos da tapada, algazarra de homens e cães, júbilos nobres que não alcanço.

Vejo-te passar, senhor, na montada luzente de sempre, fadiga nos olhos, nos braços, na alma, que não me contemplam, que não me enxergam, que não me sentem.

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