Pai

Enquanto a minha mãe começava a acender todas as luzes da casa, a acordar-nos devagar com a preocupação na voz, o meu irmão ainda a deter-se com esta ideia de acordar, o meu pai estava estendido no chão de alcatrão da estrada onde eu também brinquei em pequena. O corpo gelado, a face branca em oposição à vermelhidão que sempre lhe conhecemos e os olhos muito abertos como se estivesse ainda a tentar ver as pequenas coisas que a vida não lhe tinha mostrado ou que mesmo ele tinha ocultado, tapando os olhos com as mãos secas de um trabalho que já detestava. Continuar a ler