Abril 2017

Penumbra

Ainda não é meia-noite.
Não estamos perdidos na penumbra
que outrora consumiu
o dia.

Ainda há luz.
Espelha-se pelas árvores,
pelos animais nocturnos
que aparecem devagar
por entre a folhagem.

Vasculhamos por entre os ramos
Que o inverno estendeu pelo chão,
O pouco que resta de luz.

Com medo
A sombra afasta-se
Desalinha-se
Desconsertar-se

Ainda não estamos perdidos na penumbra.

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Novembro 2016

Pai

Enquanto a minha mãe começava a acender todas as luzes da casa, a acordar-nos devagar com a preocupação na voz, o meu irmão ainda a deter-se com esta ideia de acordar, o meu pai estava estendido no chão de alcatrão da estrada onde eu também brinquei em pequena. O corpo gelado, a face branca em oposição à vermelhidão que sempre lhe conhecemos e os olhos muito abertos como se estivesse ainda a tentar ver as pequenas coisas que a vida não lhe tinha mostrado ou que mesmo ele tinha ocultado, tapando os olhos com as mãos secas de um trabalho que já detestava. Continuar a ler

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