Pai

Enquanto a minha mãe começava a acender todas as luzes da casa, a acordar-nos devagar com a preocupação na voz, o meu irmão ainda a deter-se com esta ideia de acordar, o meu pai estava estendido no chão de alcatrão da estrada onde eu também brinquei em pequena. O corpo gelado, a face branca em oposição à vermelhidão que sempre lhe conhecemos e os olhos muito abertos como se estivesse ainda a tentar ver as pequenas coisas que a vida não lhe tinha mostrado ou que mesmo ele tinha ocultado, tapando os olhos com as mãos secas de um trabalho que já detestava. Continuar a ler

Não é Fé é Morte

A minha mãe, quando me olhou com os olhos de pena que as notícias referentes a doenças implicam, disse-me que estava na altura de acreditar em algo maior. Em alguma coisa, nem que levemente, que me trouxesse a força que o meu corpo já não tinha.
Como poderia eu fazê-lo? Sentia o corpo pedir por essa ideia, mesmo relembrando os momentos em que a Igreja me fazia estremecer, mas não era capaz de me deixar ir.

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