Penumbra

Ainda não é meia-noite.
Não estamos perdidos na penumbra
que outrora consumiu
o dia.

Ainda há luz.
Espelha-se pelas árvores,
pelos animais nocturnos
que aparecem devagar
por entre a folhagem.

Vasculhamos por entre os ramos
Que o inverno estendeu pelo chão,
O pouco que resta de luz.

Com medo
A sombra afasta-se
Desalinha-se
Desconsertar-se

Ainda não estamos perdidos na penumbra.

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Medo

O frio do medo
onde me recolho
acolhe-me.

Vastas pingas
enfurecem a janela
torvam a visão
do que vejo lá fora.

É dia,
mais parece noite.
Conto os pedaços
do que vejo cinzento,
para o retorno
a casa.

Anseio
elos braços maternos
que fui desvalorizando.

Vilcieni

Quero ir para casa, penso. Essa casa naquele país solarengo que pensei que não amava. Quero ir para casa. Chega. Não quero mais viagens. Não quero mais entradas em autocarros. Aviões. Comboios que me levam para longe. Sempre mais longe. Mesmo quando retorno. Estou longe. Quero ir para casa. Continuar a ler Vilcieni

Gustavs e a Magia da Aventura

Quando Gustavs abriu os olhos tudo era luz e cintilantes flocos de neves caiam na sua face. À sua frente uma enorme fábrica iluminada com cores vermelhas, amarelas, verdes e azuis, que mais parecia uma casa feita de biscoito, erguia-se.

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Pai

Enquanto a minha mãe começava a acender todas as luzes da casa, a acordar-nos devagar com a preocupação na voz, o meu irmão ainda a deter-se com esta ideia de acordar, o meu pai estava estendido no chão de alcatrão da estrada onde eu também brinquei em pequena. O corpo gelado, a face branca em oposição à vermelhidão que sempre lhe conhecemos e os olhos muito abertos como se estivesse ainda a tentar ver as pequenas coisas que a vida não lhe tinha mostrado ou que mesmo ele tinha ocultado, tapando os olhos com as mãos secas de um trabalho que já detestava. Continuar a ler Pai