The Tale of Ragnar’s Sons

In Sigurd’s snake eye one could see
back to when his father, the king
drew his last breath
and this Earth he left
with a riddle of death:

“How the little piggies will grunt
when they hear how the old boar suffered”
said he
Words mistaken for those of an old fool
for an old fool he taught himself to be
but how could a fool’s last words affront
the high lords of the rich lands across the sea? Continue reading “The Tale of Ragnar’s Sons”

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Órla

A jovem mulher a quem Niall chamava esposa era uma criatura estranha, tão bela como triste.[…] Os seus olhos eram de uma tristeza assombrosa e de uma profundidade que rivalizava apenas com a do próprio mar. Parecia sempre estar com a cabeça noutro lugar, bem longe dali, e sentir saudades de algo ou alguém que, claramente, não se encontrava lá. Nunca era vista a rir nem a sorrir por ninguém na aldeia. Órla questionava-se se o próprio Niall alguma vez a vira sorrir.

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Dias de chuva

Arjun não se lembrava de quando ou como tinha começado a odiar os dias de chuva. Quando era criança, os dias de chuva eram tão bons como os soalheiros, com a particularidade de saltar em todas as poças de água como se estivesse a jogar à macaca, no regresso a casa após mais um dia de escola. Nesses tempos, os dias de chuva cheiravam como a sua cama quando a mãe acabava de a fazer de lavado.

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O canto d’A Maldição da Sereia

Ouvir aquelas palavras de Oliver fê-la ferver por dentro. Era assim que pretendia pagar o resto da dívida a Thorp? O que acontecera a toda aquela conversa de querer que ela aprendesse sobre a vida a bordo de um navio para se tornar, mais tarde, o seu braço direito?
Mas antes de ter tempo de abrir a boca para protestar, já os dois homens estavam a apertar as mãos. Era a despedida. Continue reading “O canto d’A Maldição da Sereia”

O destino de Sigewulf

E aí ele compreendeu o que ela lhe estava verdadeiramente a ensinar. Que o mar, tão verdadeiro e palpável naquele momento, era – ao mesmo tempo – uma metáfora para tudo aquilo que a vida jogara contra ele durante os seus curtos anos naquele mundo. Naquele momento, soube que nunca tinham feito por ele […] o que aquela rapariguinha de olhos verdes e nascimento nobre tinha feito. Nunca ninguém quisera saber dele até então. Já não estava sozinho.

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O quarto de infância

O alívio – agora sei-o – deve-se ao facto deste ser o destino que escolho e tão bem me acolhe quando preciso de lamber as feridas. Feridas essas que ganho noutros sítios, longe daqui. A vista da ponte é a materialização da chegada e a representação de um abraço materno que nos conforta e assegura que vai tudo ficar bem no final e que, se algo não está bem, então não é o final. Algo assim.

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Vozes que se ouvem no silêncio

Posso ter sido eu a desaparecer primeiro, mas enquanto sei que para ti tudo aconteceu há uma vida atrás e que provavelmente só te lembras de mim quando me vês de raspão, eu, por outro lado, penso mais vezes do que as que sou capaz de admitir nos porquês que ficaram por explicar e que era tarefa tua perguntar.
Se isso não é uma vitória tua, não sei o que será.

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“Welcome to Sky Valley”

Fitou a placa de metal onde se lia “Welcome to Sky Valley” que guardava religiosamente na parede em frente à sua cama há pouco mais de dez anos, resultado de uma noite memorável onde Tyler e o seu amigo Jeremy a arrancaram da auto-estrada por onde conduziam sem destino o velho Pontiac Firebird do pai de Jeremy. […]
Há anos que não sabia nada de Jeremy. Havia um número de telefone antigo escrito num pedaço de papel velho coberto de pó na secretária inutilizada do seu quarto.

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