Samhain

«Avistou-a através da pequena janela de vidro. O cabelo louro, a cabeça vergada, a ler um jornal. Enquanto olhava para ela, percebeu que sorria para si próprio.» “O Discípulo”, Hjorth & Rosenfeldt

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Verdade ou consequência

Nunca se deve interferir nas relações alheias! Nunca! Esse era um dos seus lemas de vida. Um principio a seguir sempre, e sem excepção. Hoje vacilava. Pela primeira vez, tinha dúvidas acerca do que fazer. Pela primeira vez o coração queria falar mais alto que a razão.

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O momento certo

Nunca era o momento certo. Nunca. Sempre que o tentara, certa de que era a melhor decisão apesar das consequências, o resultado tinha sido nulo. Mentira, nulo não. Tinha sofrido antes, durante e depois. De cada vez que o tentara sem o conseguir, era como se tivesse sido espancada na alma e com isso ela tivesse mirrado mais um pouco, encolhida na vergonha de se expor sem  compreensão.

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Tempestade perfeita

Tinha-me transformado num bloco imóvel, agarrado ao chão, presa por tantas amarras e ancoras que não mais me era possível voar. Não existia uma folga que fosse para a espontaneidade. Aquele espírito livre que vivia cá dentro, não mais o era. Perdera a capacidade de voar, e quase fenecera quando as asas mirraram por falta de uso, transformando o coração de águia em rato de gaiola.

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A linha

Sentou-se, e ali ficou a olhar para o fundo do túnel. Observava aquela escuridão e via nela a única solução para todos os seus males. Não tinha nada a perder. Já não tinha mesmo nada que o prendesse ali. Tinha perdido nesse dia a única pessoa que contava para ele. Com ela desapareceu a última réstia de esperança num futuro. Ela tinha sido a única pessoa que nunca desistira dele, apesar de tudo o que tinha feito. Os roubos, os insultos, as bebedeiras, e por último a violência e a droga.

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Química

Agora, paradas a olhar para a vitrina, a coragem falhara. Já não tinha 20 anos, os cabelos brancos, apesar de escondidos pela tinta, não a deixavam esquecer que o tempo passara. E se ele a achasse louca? Afinal do que vinha ela à procura? Não o conhecia, não sabia nada dele, e até as feições já se confundiam no baú das recordações. Tinham ido até ali para quê?

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