Super-Homem

O médico olhou em volta. Junto à janela, numa mesa redonda, estavam expostas diversas molduras. Nalgumas viam-se dois bebés, mais tarde rapazinhos, noutras relatava-se o casamento da rapariga que abrira a porta. Mas, na sua maioria, a mesa era dominada pelo retrato de um senhor de olhos negros e profundos sulcos junto aos lábios, indubitavelmente o marido da senhora que se encontrava reclinada naquela cama.

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Até que a morte os una

Lembro-me ao detalhe, como se estivesse a revivê-lo, do momento em que prometi amar-te e ser-te fiel para o resto da vida, na saúde e na doença, até que a morte nos separasse. Lembro-me do nó que me magoava a garganta quando engoli em seco antes de, perante as nossas famílias e todas as pessoas que nos eram importantes, te mentir. Sorriste-me emocionado. Fechei os olhos para que não lesses nele a verdade.

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Subversão

O dia 12 de setembro finalmente chegara, e numa questão de um par de horas estava a desenrolar-se totalmente fora do plano. O vazio que se instalara dentro do meu estômago crescia descontrolado e eu só queria ir para casa, mas já não tinha uma: a da Póvoa de Lanhoso estava desfeita, a de Lisboa ainda não era minha. Os meus pais não viviam o conto de fadas em que eu acreditava. E eu já não era a pessoa que achava ser; já não me conhecia: se até à véspera sabia como iria – ou, pelo menos, como deveria – reagir às diversas situações, agora duvidava de mim, dos meus conceitos e das minhas decisões. Continuar a ler