Cronologia

Era quando o metro se renovava de passageiros que o via, com a risca ao lado perfeitamente delineada, o uniforme de colégio e a pasta maior do que as costas. Sentava-se à sua frente, furando a multidão, e começava a balançar os pés, longe do chão. Recriando quase exatamente a sua versão infantil.

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703

Será que alguém pensava nela? Será que alguém sequer reparava nela, pensava de onde vinha, para onde ia e o que fazia? Será que os outros faziam juízos de valor como ela também os fazia? Será que os passageiros do seu autocarro trocavam ocasionalmente um olhar a dado momento como quem diz “ela hoje também não veio”?

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Próxima Estação: NW10

Sento-me, como usual, numa das muitas cadeiras vazias que por enquanto ainda existem, enquanto o comboio percorre os recortes dos subúrbios Londrinos, parando em duas ou três estações antes de atingir Finchley Road, enquanto me abstraio do Mundo em que vivo e o troco por um mais feliz ou triste, dependendo do contexto literário do livro que trago comigo dentro da mala.

A cidade murmura por entre túneis subterrâneos, levando vida a cada estação, cruzando olhares e fazendo amores de um minuto.

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