Novembro 2016

Lembranças de uma noite (in)feliz

Nessa noite, ouvimos os fados chorosos em Alfama e os gritos dos soldados que a noite calara no Largo do Carmo.

Durante aquela noite, os nossos corações  ficaram partidos devido aos segredos que tornam Lisboa numa cidade humanamente desumana.

E quando aquela noite terminou, as margens do Rio Tejo protagonizaram o mais belo amanhecer que poderíamos alguma vez presenciar, deixando-nos felizes por conhecer o desejo de terminar a infelicidade.

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Novembro 2016, Uncategorized

Até que a morte os una

Lembro-me ao detalhe, como se estivesse a revivê-lo, do momento em que prometi amar-te e ser-te fiel para o resto da vida, na saúde e na doença, até que a morte nos separasse. Lembro-me do nó que me magoava a garganta quando engoli em seco antes de, perante as nossas famílias e todas as pessoas que nos eram importantes, te mentir. Sorriste-me emocionado. Fechei os olhos para que não lesses nele a verdade.

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Novembro 2016

O código

Faço aqui um aparte para dizer que sempre soube que eras mais bonita do que eu. Mais que bonita, exótica. Isso nunca me perturbou ou causou qualquer tipo de ciúmes. Quando andávamos juntas, a maioria dos rapazes olhava primeiro para ti, mas nunca foi problema, porque tínhamos gostos diferentes, personalidades diferentes, atributos diferentes. Além disso tínhamos o código.

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Novembro 2016

Pai

Enquanto a minha mãe começava a acender todas as luzes da casa, a acordar-nos devagar com a preocupação na voz, o meu irmão ainda a deter-se com esta ideia de acordar, o meu pai estava estendido no chão de alcatrão da estrada onde eu também brinquei em pequena. O corpo gelado, a face branca em oposição à vermelhidão que sempre lhe conhecemos e os olhos muito abertos como se estivesse ainda a tentar ver as pequenas coisas que a vida não lhe tinha mostrado ou que mesmo ele tinha ocultado, tapando os olhos com as mãos secas de um trabalho que já detestava. Continuar a ler

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