Medo

O frio do medo
onde me recolho
acolhe-me.

Vastas pingas
enfurecem a janela
torvam a visão
do que vejo lá fora.

É dia,
mais parece noite.
Conto os pedaços
do que vejo cinzento,
para o retorno
a casa.

Anseio
elos braços maternos
que fui desvalorizando.

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Órla

A jovem mulher a quem Niall chamava esposa era uma criatura estranha, tão bela como triste.[…] Os seus olhos eram de uma tristeza assombrosa e de uma profundidade que rivalizava apenas com a do próprio mar. Parecia sempre estar com a cabeça noutro lugar, bem longe dali, e sentir saudades de algo ou alguém que, claramente, não se encontrava lá. Nunca era vista a rir nem a sorrir por ninguém na aldeia. Órla questionava-se se o próprio Niall alguma vez a vira sorrir.

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Próxima Estação: NW10

Sento-me, como usual, numa das muitas cadeiras vazias que por enquanto ainda existem, enquanto o comboio percorre os recortes dos subúrbios Londrinos, parando em duas ou três estações antes de atingir Finchley Road, enquanto me abstraio do Mundo em que vivo e o troco por um mais feliz ou triste, dependendo do contexto literário do livro que trago comigo dentro da mala.

A cidade murmura por entre túneis subterrâneos, levando vida a cada estação, cruzando olhares e fazendo amores de um minuto.

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Lembranças de uma noite (in)feliz

Nessa noite, ouvimos os fados chorosos em Alfama e os gritos dos soldados que a noite calara no Largo do Carmo.

Durante aquela noite, os nossos corações  ficaram partidos devido aos segredos que tornam Lisboa numa cidade humanamente desumana.

E quando aquela noite terminou, as margens do Rio Tejo protagonizaram o mais belo amanhecer que poderíamos alguma vez presenciar, deixando-nos felizes por conhecer o desejo de terminar a infelicidade.

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